História da Educação em Campo Grande RJ
Desde o período colonial, com as Aulas Régias instituídas em 1759 pelo Marquês de Pombal, até o Ato Adicional de 1834, o ensino no Brasil caracterizou-se pela forte centralização, pelo elitismo e pela pouca efetividade em alcançar a população em geral.
Com a transferência da Corte portuguesa em 1808, o Rio de Janeiro tornou-se o centro político e cultural do Império, o que ampliou o prestígio da educação. Contudo, o acesso permaneceu restrito às elites, voltado principalmente à formação de quadros administrativos e militares. A Constituição de 1824 e a Lei Geral de 1827 estabeleceram a gratuidade do ensino primário, mas, na prática, apenas cerca de 12% das crianças frequentavam a escola, em sua maioria oriundas de famílias abastadas.
As escolas, destinadas a alunos de 7 a 14 anos, funcionavam de forma segregada por sexo. Os meninos tinham acesso a conteúdos completos de matemática, enquanto as meninas recebiam um currículo reduzido, limitado às quatro operações básicas e às chamadas “prendas domésticas”. Apenas as disciplinas de português e religião eram comuns a ambos os sexos. A unificação dos conteúdos só ocorreria em 1854.
Em muitos casos, as escolas funcionavam nas próprias residências dos professores, o que mesclava o espaço público com o privado. Havia também instituições instaladas em prédios alugados, além de algumas escolas particulares que recebiam subsídios do governo imperial. Somente na segunda metade do século XIX a construção de edifícios específicos para a educação passou a se consolidar.
No bairro de Campo Grande (RJ), a educação possui raízes antigas e desempenhou papel essencial no desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Desde o final do século XIX, escolas e educadores contribuíram de forma significativa para a formação cultural e social da região.
De acordo com Helton Veloso, em O Patropi (1979), a primeira escola oficial da região foi instalada em 1º de outubro de 1881, nas dependências da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro. Ela foi a 6ª escola primária criada pela municipalidade. Dois anos depois, em 1883, o bairro já contava com sete escolas primárias, mostrando a rápida expansão do ensino.
Entre os primeiros educadores, destaca-se o professor Francisco Alves da Silva Castilho, conhecido como professor Castilho. Ele faleceu em 1915, aos 95 anos, após lecionar por décadas em um prédio na antiga Estrada Real de Santa Cruz, atual Avenida Cesário de Melo. Outro nome importante foi o professor José Antônio Gonçalves, músico responsável por organizar durante anos o coro da Matriz de Nossa Senhora do Desterro.
Entre as primeiras mulheres educadoras de Campo Grande estavam D. Maria dos Santos Marques e D. Donatila Rodrigues da Costa. A primeira escola primária feminina foi criada a pedido do médico Francisco Alves Barbosa. Inicialmente, funcionava na Curva do Matoso e depois mudou para um imóvel em frente ao local onde seria construído o Hospital Rocha Faria.
A professora Donatilia Rodrigues da Costa se casou com o tenente-coronel Agostinho Coelho da Silva, que hoje dá nome à principal rua de Campo Grande.
Entre outros nomes importantes da história da educação em Campo Grande destacam-se:
- Leonor de Vasconcelos – Escola do Joari.
- Dalila Tavares – Escola Augusto Vasconcelos, instalada onde depois funcionou o Colégio Belisário dos Santos.
- Marieta Medeiros – Dirigiu por anos uma escola localizada em frente ao Hospital Rocha Faria.
Outro grande educador foi o professor Felipe Santiago, fundador do antigo Hélio Colégios. O primeiro colégio de ensino médio em Campo Grande foi o Maria Imaculada, que funcionou de 1938 a 1940. Na sequência, surgiu a Escola Comercial Afonso Celso, que se transformou em:
- Escola Técnica de Comércio
- Ginásio Afonso Celso
- Colégio Afonso Celso (nome pelo qual ficou mais conhecido)
Em 1941, foi inaugurado o Colégio Belisário dos Santos, outro marco fundamental na educação da região, o colégio foi demolido no dia 10 de maio de 2014 e atualmente funciona um estacionamento.
Fontes:
https://ensinarhistoria.com.br/a-mulher-e-a-educacao-publica-no-brasil-imperio/ – Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues
O Patropi
A construção da escola pública no Rio de Janeiro imperial .Tereza Fachada Levy Cardoso