Lugares Zona Oeste RJ

Curiosidades , dicas , história e roteiros de turismo na AP5 da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

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Campo GrandePedra de GuaratibaZona Oeste

História do bondes em Campo Grande RJ

Na cidade do Rio de Janeiro, o serviço de bondes de tração animal teve início em 1859, enquanto os bondes elétricos começaram a circular em 1892. Em Campo Grande, localizado a cerca de 45 quilômetros do centro da cidade, essa transformação ocorreu mais lentamente. Na época, o bairro era o centro de uma importante região agrícola que produzia o feno utilizado para alimentar as mulas responsáveis por puxar os bondes da capital.

Cronologia dos Bondes em Campo Grande

1894 – A chegada da concessão

Em julho de 1894, a Companhia Carris Urbanos, uma das empresas que operavam o sistema de bondes do Rio de Janeiro, recebeu a concessão para implantar as primeiras linhas de bondes em Campo Grande, pelo prazo de 40 anos. A empresa possuía cerca de 2.000 mulas e construiu uma linha ligando a estação ferroviária de Campo Grande à localidade de Monteiro.

1896 – Os bondes entram na paisagem local

A partir de 1896, os bondes passaram a integrar a paisagem de Campo Grande. Nos primeiros anos, o principal serviço consistia no transporte de capim e feno entre a estação ferroviária e a localidade de Santa Clara, na Estrada do Monteiro, atendendo às necessidades das atividades rurais da região.

1908 – Início do transporte de passageiros

Com o crescimento dos pequenos povoados ao longo da linha, a administração do sistema foi reorganizada em 1905. Como resultado, os bondes de passageiros começaram a circular regularmente em 1908, ampliando a importância do serviço para a população local.

1912 – O sistema em números

Segundo relatório do IBGE, em 1912 o sistema contava com:

  • 7 carros de passageiros;
  • 3 vagões de carga;
  • 30 mulas.

1915 – Projeto de expansão e eletrificação

Um novo contrato firmado em 1915 determinou a ampliação da linha e a substituição da tração animal pela elétrica, acompanhando a modernização dos transportes urbanos que já ocorria em outras áreas da cidade.

1917 – A chegada dos bondes elétricos

A Companhia de Bondes Elétricos de Campo Grande a Guaratiba adquiriu uma dúzia de bondes usados da Companhia Jardim Botânico e inaugurou, em 17 de maio de 1917, o quinto sistema de bondes elétricos do então Distrito Federal.

A nova linha possuía 17 quilômetros de extensão, ligando a estação ferroviária de Campo Grande a Pedra de Guaratiba. A eletrificação representou um marco para a região, ampliando a integração entre os bairros rurais da Zona Oeste e contribuindo para o desenvolvimento local.

Laço de retorno em Pedra de Guaratiba, 1963.
Nos seus últimos anos, a maior parte dos bondes de Campo Grande operava em sentido único.
(Foto: E. W. Clark)

1918 – Expansão para a Ilha

Dando continuidade à expansão da rede, em 23 de março de 1918 foi inaugurada a linha para a localidade da Ilha. O novo ramal ampliou a área atendida pelos bondes elétricos.

1920 – Chegada ao Rio da Prata

Em 1920 foi aberta a ramificação para Rio da Prata, estendendo ainda mais a rede de bondes de Campo Grande. Com isso, o sistema passou a atender núcleos populacionais da Zona Oeste.

1948 – O auge da rede

Um levantamento realizado em 1948 demonstra a dimensão alcançada pelo sistema de bondes de Campo Grande. Naquele ano, a empresa possuía:

  • 12 bondes motores;
  • 14 reboques para passageiros;
  • 2 vagões de carga;
  • 1 carro funerário;
  • 46 quilômetros de trilhos.

Nessa época, a rede de bondes de Campo Grande já era uma das mais extensas do então Distrito Federal, ligando a estação ferroviária de Campo Grande a Pedra de Guaratiba, Ilha e Rio da Prata.

Desvio próximo ao depósito de Monteiro, em 1958.
O bonde era usado e proveniente do sistema do Jardim Botânico.
(Foto: W. C. Janssen)


O sistema de bondes de Campo Grande possuía características bastante singulares quando comparado aos demais sistemas urbanos do Rio de Janeiro. A população atendida ao longo das linhas era relativamente pequena, refletindo o caráter rural da região durante boa parte de sua existência. Os trilhos eram instalados, em sua maioria, às margens das estradas, acompanhando os caminhos já utilizados pelos moradores.

Os tradicionais bondes do tipo Bombay Roof, adquiridos de segunda mão, circulavam a uma velocidade média de apenas 10 quilômetros por hora. Por isso, uma viagem entre Campo Grande e a localidade da Ilha, em um percurso de aproximadamente 20 quilômetros, podia durar cerca de duas horas.

Apesar da lentidão, os bondes desempenhavam um papel fundamental na integração dos bairros e localidades da Zona Oeste, servindo como principal meio de transporte para milhares de moradores. Além de transportar passageiros, os veículos também realizavam o transporte de mercadorias.

Em 1937, a operação do sistema passou para a Prefeitura do Distrito Federal. Anos mais tarde, com a criação do Estado da Guanabara, em 1960, a administração foi transferida para o Serviço de Transporte Rural, que manteve o funcionamento das linhas até sua incorporação pela Companhia de Transportes Coletivos (CTC), em 1964.

Descarrilamento na Estrada do Mato Alto, em 1964.
O bonde já apresentava a nova pintura azul e prata da CTC.
(Foto: R. De Groote)


Em 1º de janeiro de 1964, a Companhia de Transportes Coletivos (CTC) assumiu a operação das linhas de bondes de Campo Grande, juntamente com as demais linhas remanescentes da cidade do Rio de Janeiro. A partir desse momento, iniciou-se o processo de desativação gradual da rede.

A linha da Ilha foi encerrada em outubro de 1964. No ano seguinte, em 1965, foi desativada a linha de Pedra de Guaratiba. Restou apenas a linha de Rio da Prata, que continuou em funcionamento até 31 de outubro de 1967. Nessa data circulou o último bonde do trecho entre Monteiro e Rio da Prata, marcando o fim do sistema de bondes de Campo Grande e de uma importante fase da história dos transportes na Zona Oeste.

A rede de bondes era composta por uma linha principal e dois ramais. A linha principal ligava Monteiro a Pedra de Guaratiba, passando por Santa Clara. O ramal da Ilha atendia as localidades de Astrogildo, Matriz e Ilha. Já o ramal de Rio da Prata percorria os bairros de Borges, Cabuçu, Glicínia e Rio da Prata.


Com exceção da Estrada de Ferro Santa Teresa, da Estrada de Ferro do Corcovado e da operação esporádica da linha do Alto da Boa Vista, o sistema de Campo Grande foi o último serviço regular de bondes a funcionar no Estado do Rio de Janeiro. Em 31 de outubro de 1967, com a circulação do último bonde entre Monteiro e Rio da Prata, encerrava-se uma trajetória iniciada mais de sete décadas antes, quando os trilhos chegaram à região para atender às necessidades da economia rural da Zona Oeste.

Embora os bondes tenham desaparecido das ruas, diversos vestígios desse importante sistema de transporte permanecem na paisagem de Campo Grande. A antiga Oficina de Manutenção dos Bondes, inaugurada em 1917 na Estrada do Monteiro, continua preservada e atualmente abriga uma unidade da Comlurb. Em diferentes trechos do bairro, parte dos trilhos permanece oculta sob o asfalto das vias modernas, testemunhando silenciosamente a existência de uma rede que conectou comunidades, transportou trabalhadores, estudantes e mercadorias, e contribuiu decisivamente para o desenvolvimento econômico, social e urbano da região.

Mais do que um meio de transporte, os bondes foram protagonistas da história de Campo Grande. Durante décadas, acompanharam a transformação de uma área predominantemente rural em um dos principais bairros da Zona Oeste carioca, deixando marcas que ainda podem ser percebidas na memória dos moradores, no traçado das antigas estradas e nos remanescentes físicos que resistem ao tempo.

Fonte: http://www.tramz.com/

deca serejo

Deca Serejo é maranhense, moradora de Campo Grande, guia de turismo, graduanda em História e apaixonada pela cidade maravilhosa ,bairrista e idealizadora do Rio de Coração Tour, um Projeto de turismo e de valorização de territórios na Área de Planejamento 5.2 da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro

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